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Bye bye Blockbuster

A Blockbuster abriu insolvência em Portugal. As desculpas invocadas são as habituais nestes casos, “a Internet” e “a pirataria”. Não percebo como a pirataria, uma actividade praticada em alto mar por piratas que roubam barcos inteiros e sequestram ou matam as tripulações, pode ter afectado a Blockbuster. Percebo sim como os catálogos reduzidos e sem escolha tenham prejudicado o negócio. Percebo que os preços praticados afastem os clientes. Percebo que as “versões familiares”, censuradas em violação dos direitos morais dos autores para obedecer a um padrão bacoco americano, façam os clientes sair desiludidos das lojas. E percebo especialmente que a Blockbuster tenha receio de culpar o prego final no seu caixão, a TV por cabo e satélite.

Ainda tenho algures em casa um cartão de sócio da Blockbuster. Fui cliente regular durante alguns meses. Vi os filmes que valiam a pena ser vistos. Depois ficou só a frustração de ir à loja para descobrir que a “estreia” que queria ver estava esgotada, de chegar a casa e descobrir que o dvd que tinha escolhido estava riscado e a preocupação de devolver o dvd a horas na 2a feira para não pagar a “multa”. A Blockbuster tornou-se um aborrecimento e naturalmente o cartão desapareceu da minha carteira. A TVCabo não tinha problemas de stock, não me alugava dvds riscados, não tinha que ser devolvida à 2a feira e ao fim do mês a factura não era assim tão diferente.

A Blockbuster não está sozinha na luta contra a obsolescencia. Nos anos 80 Portugal foi invadido pelos clubes de video de bairro, uma espécie de moda das croissanterias mas com cassetes VHS. Estes pequenos clubes cresceram primeiro à custa das cassetes copiadas ilegalmente e depois à custa do aluguer totalmente ilegal de jogos de consola. Mudam-se os tempos mudam-se as agulhas morais.
Também fui sócio de um destes clubes pré-Blockbuster. Depois chegou a Blockbuster com as suas lojas grandes e os clubes de bairro gritaram que iam ser esmagados. Agora é a vez da Blockbuster ser esmagada.

Bye bye Blockbuster. Ainda cá andavas ?

/portugal | edited on 2010/02/13 -- permalink, click to comment

Magalhães, o pedagogico

O Magalhães vai ser distribuído gratuitamente aos alunos 1o ciclo como parte do plano tecnológico. Excelente medida para as nossas crianças aprenderem a usar computadores ? Hum … não.

O Magalhães, para quem estado debaixo de uma pedra, é uma espécie de sub-netbook desenhado pela Intel como resposta ao OLPC e a sua característica principal é ser barato. Vai ser disponibilizado às crianças pelo Governo pré configurado em paralelo com CaixaMagica na opção de boot por omissão e com Microsoft Windows XP, uma pseudoshell lúdica e Microsoft Office em alternativa como ambiente pedagógico. Para quem não tem experiência com estas coisas, Windows+Office é um ambiente desenhado e estruturado para o Sr. Fagundes, escriturário da 4a repartição pública, 42 anos, calvo e ligeiramente barrigudo. O Sr. Fagundes foi aprender a mexer em computadores num curso de formação profissional, voltou a saber escrever uma carta a duplo espaço mas o “guardar” ainda lhe causa alguma incerteza. O ambiente Caixa Mágica tem um menu simples tipo netbook com acesso a jogos (bons, giros mas jogos) e OpenOffice, a versão OSS do ambiente do Sr. Fagundes.
Parece-vos o ambiente correcto para um aluno da 1a classe ?

Quem respondeu sim nunca encontrou uma criança da 1a classe. As crianças do 1o ciclo não aprendem a usar em computadores, simplesmente usam. Experimentam, descobrem, percebem o potencial e procuram o que imaginam. Não precisam de “instrução”, especialmente não precisam de ser ensinadas a “mexer” em computadores por professores largamente desmotivados e infelizmente ignorantes no tema.
Em vez do ambiente do Sr. Fagundes os alunos do 1o ciclo necessitam de um ambiente que lhes permita descobrir e organizarem-se de acordo com os seus modelos da realidade. Esse ambiente chama-se Sugar e existe e pode fazer parte do verdadeiro choque tecnologico, que cria competencias de desenvolvimento nos engenheiros, gera conhecimento nos investigadores e gera criança que sabem computadores.
Em vez disso estamos estamos a criar Sr.s Fagundes que só vão conseguir usar produtos pré-empacotados na Irlanda para criar a ilusão da produtividade.

/portugal | edited on 2008/10/03 -- permalink, click to comment

Madeira, drogados’r’us, SA

De novo, a realidade na Madeira ultrapassou-me. Não há grande coisa a comentar sobre a alteração da lei sobre a queima de tabaco em espaços públicos. Já foi dito que é ilegal e feita à medida para beneficiar os locais Pestana e Berardo. Tem também a típica alarvidade de independentismo.

Resta-me apelar aos Marcelos Rebelo de Sousa da vida (Marcelos ? será assim ? tenho que consultar as Dr. Edites Estrelas da vida!) que se mudem de armas e bagagem para a Madeira para estar entre os seus e deixar as pessoas em paz.

A proposito, a expressão “já chegamos à Madeira ou quê ??” tornou-se muito popular no Zimbabue à custa da situação politíca do país.

/portugal | edited on 2008/06/23 -- permalink, click to comment

O que aprendi esta semana

Em primeiro lugar aprendi que quando quiser alguma coisa do Governo, por mais inane que seja, só preciso de pegar em meia de amigos e ir para o Carregado arremessar pedras aos TIR. O Governo dá-me logo o dobro do que quero e não faz perguntas irritantes nem cargas policiais. Porreiro pá!

Em segundo o Sr Presidente Silva ensinou-me que o Tratado de Lisboa foi recusado pelos irlandeses porque as pessoas são influenciáveis por campanhas demagógicas. Em resumo, as pessoas são parvas e por isso as coisas importantes não deviam ser decididas em eleições. Se calhar, já que as pessoas são tão influenciáveis, acabava-mos com isto da democracia e com a maçada das eleições não é Sr Presidente ?

/portugal | edited on 2008/06/15 -- permalink, click to comment

A Guerra dos Camiões

Sr Primeiro Ministro, um Estado de Direito não negoceia com terroristas. Um Estado de Direito prende os criminosos comuns. Um Estado de Direito como o nome indica acima de tudo mantém a ordem pública e garante o Direito. Um Estado em que os transportes de combustível deslocam-se a meio da noite com escolta policial não é de Direito. É o Iraque.

Sr Primeiro Ministro, utilize as forças para-militarizadas e se necessário as forças militarizadas que os meus impostos mantêm em prontidão para garantir a ordem pública e o Estado de Direito. Ou será que só servem para amedrontar agricultores em tractores em estradas secundárias ?

/portugal | edited on 2008/06/11 -- permalink, click to comment

Há petroleo em São Bento

Por qualquer razão sempre que há uma crise especulativa bate-nos com mais força que ao resto da Europa. Se calhar somos mais especulativos por natureza mas uma coisa é o arroz do Lidl e outra é o preço da gasolina.

Em Portugal o preço dos combustiveis feito com petroleo comprado em 2007 cola-se ao preço do petroleo que vai ser entregue em 2009, mas só quando sobe. Apesar do mercado estar “aberto” só a Galp refina e distribui em Portugal em virtude da falta de regulação de acesso aos meios.
Como é possível o Estado não ter completado o processo de privatização que iria permitir que os preços dos combustiveis se alinhassem com o resto do mercado europeu ? Simples, a Galp é protegida porque é o fundo de pensões de actuais e futuros ex-ministros e como tal não pode enfrentar real concorrência.

Já perdemos qualquer hipotese de não sermos explorados pela Lusoponte mas ainda vamos a tempo provar que não há uma coninvência imoral entre o Estado e a Galp.
Que tal Sr. Primeiro Ministro ? Vai deixar este vicio também ?

/portugal | edited on 2008/06/01 -- permalink, click to comment
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